Meio ambiente e a dimensão do cuidado
As manifestações do Dia Mundial da Ecologia e do Meio Ambiente, ocorridas no dia 5 deste junho e as advertências dos cientistas comprometidos com a verdade chamaram, de novo, a nossa atenção par um fato óbvio: este planeta, como qualquer outra coisa viva, é finito e nós, humanos, o estamos destruindo.
Não há muito tempo, e que Deus e os mais escrupulosos nos perdoem a crueza da expressão, muita gente que se conhecia como “boa”, dizia o seguinte: “esse negócio de ecologia e meio ambiente é coisa de maconheiros e veados”... Seria, será, mesmo? Teriam as minorias crucificadas pelo preconceito e pela falta de caridade mais sensibilidade que as pessoas “ditas” normais? 
Nós, que nos acreditamos e chamamos filhos do Pai, recebemos dele, intacta, essa nossa morada: o terceiro planeta do Sistema Solar. Cabe o parêntesis:  o nosso sistema solar, o nosso planeta, não estão “lá”.  Estão “aqui”, e são o nosso corpo, a nossa casa, o nosso quintal, a nossa rua, as nossas montanhas, as nossas matas, o córrego de Sant’Ana, o Rio Santo Antônio, Ferros, tudo tão próximo, tão pouco olhado, tão pouco amado, tão pouco tido em consciência e verdade. Está, em Gênesis: Deus criou a Terra e a confiou ao Homem. Confiou-a como se confiaram os talentos, na parábola do evangelho. Ninguém duvide:  como se tomaram às contas ao servo mau, contas serão tomadas a todos nós, pelo que fizemos, fazemos e fizermos ou deixarmos que continuem fazendo com essa casa de que somos meros – e péssimos – inquilinos...
 “A casa do Pai tem diversas moradas”... Soariam tão enigmáticas as palavras de Jesus se considerarmos  que a “casa do Pai” é o Universo e que dentro dele existirão outras “moradas” e alternativas para a Sabedoria, para a Glória, para a Majestade e para o Poder de Deus?  Estaria chegando a hora de uma nova Arca, de uma Nova Aliança, de uma Nova Eleição?  Tão grandes a nossa arrogância e a nossa pretensão de nos proclamarmos únicos, depois de olharmos com um pouco mais de humildade para o céu de uma noite estrelada!
“Não tentarás o Senhor nosso Deus”. Não será chegada a hora de nós cristãos, tomarmos ao pé da letra essa ordem e dizermos basta?  Basta aos “donos” do planeta, não se importando com seu tamanho ou força? Que chega de aprendizes de feiticeiros. Que palavras bonitas e justificativas que as ideologias e as mídias pagas tão bem sabem construir, estão tomando a Terra, a Vida, parcelas da obra de Deus, em mágica sem graça que nos provoca susto? Que, sem nenhuma dúvida nossos filhos e nossos netos pagarão por algo que não fizeram? A Terra, criada por Deus, é patrimônio de toda a Humanidade e para toda a humanidade. Ontem, hoje e sempre. É preciso gritar. Mais do que isso, é preciso agir. Não é justo, não é cristão o nosso silêncio. Não é justo, não é cristão, o nosso consentimento. Não é justo, não é cristão, fingirmos que não é conosco.

Antônio Aluísio Gonçalves
Paróquia Sant’Ana
Ferros – MG


Fonte: GONÇALVES, Antônio Aluísio. Editorial. A Ponte, Ferros/MG, n.6, junho de 2007. 
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