7o DOMINGO DO TEMPO COMUM - 19/2/2012

 

alt

PRIMEIRA LEITURA - Is 43,18-19.21-22.24b-25

Sobressai neste trecho a relação de Deus com o seu povo. O Deus fiel mais uma vez anuncia a libertação do povo. O povo infiel capaz até de cansar a Deus com suas crueldades é mais uma vez perdoado pela misericórdia de Deus.

O gesto de Deus- Deus é um Deus libertador e Israel deveria estar sempre lembrando as maravilhas de Deus na história. Mas, desta vez, Deus faz um convite a esquecer o passado, apesar das maravilhas do Êxodo. É que o gesto de Deus desta vez vai ser maior ainda. Deus anuncia coisas novas que já estão às portas: essa novidade é a libertação do exílio babilônico, apesar de tantos pesares. Agora ele abrirá um caminho no deserto, fazendo correr rios na terra seca.

No v. 21 Deus se revela como criador do povo como propriedade sua e aponta para um futuro gesto do povo: ele cantará os louvores de Deus, diante de tantas maravilhas. O gesto de Deus foi sempre de libertação e misericórdia, enquanto o passado do povo é triste, é de infidelidades, esquecimento de Deus, como se Deus fosse um servo. Israel cansou a Deus com suas maldades. Foi por isso que ele foi parar no exílio. Mas Deus tem sempre à sua frente a misericórdia. Deus está ajudando o povo a fazer um exame de consciência, porque quer mais uma vez perdoá-lo. Deus quer com Israel um relacionamento novo por isso ele diz: “Sou eu, eu mesmo que cancelo tuas culpas por minha causa e já não me lembrarei de teus pecados”.

 

SEGUNDA LEITURA - 2Cor 1,18-22

Paulo após a 1a carta aos Coríntios desejava visitar a comunidade, mas não pôde e a comunidade interpretou mal. Aqui ele quer afirmar à comunidade que o ensinamento que ele sempre transmitiu nada tem de antiguidade, ele nunca misturou seu sim com um não. O seu sim é como o sim de Jesus Cristo que ele Silvano e Timóteo pregaram entre eles: um sim sempre firme. Falando de Jesus, Paulo se empolga e mostra a fidelidade total de Jesus ao projeto do Pai. Cristo é a realização total do projeto do Pai. Jesus é o sim para os homens das promessas do Pai. É por isso e é por Cristo que dizemos “Amém” (= sim) a Deus em nossas orações. “Amém” significa sim, é verdade, é certo. É um dos 4 termos aramaicos conservados em grego nas fórmulas litúrgicas do Primeiro Testamento. Ele afirma a fidelidade do Senhor e a fé do homem. Nosso “amém” é assim o reconhecimento da fidelidade de Deus em Cristo. Da nossa parte também nosso “amém” aponta para o compromisso de fidelidade a Cristo. Nosso “amém” é expressão da nossa unção recebida de Deus no batismo: um testemunho de vida nova na força do Espírito derramado em nossos corações.

 

EVANGELHO - Mc 2,1-12

Em casa, em Cafarnaum, certamente Jesus estava na casa de Pedro. O povo aglomera na porta. A expressão “anunciava-lhes a palavra” se tornou técnica para se referir à catequese. A “casa” lembra também as comunidades primitivas reunidas nas casas para a catequese e a eucaristia.

Estamos diante de duas narrações: a cura de um paralítico e a afirmação de que o Filho do Homem tem o poder de perdoar pecados. Unindo estas duas narrações, Marcos quer apresentar a paralisia como sinal do pecado e a cura como sinal do perdão. A função das duas narrativas tem a finalidade de suscitar a fé em Jesus ressuscitado.

a) Jesus perdoa o pecado

A paralisia era vista como fruto do pecado e do castigo de Deus, mas os profetas anunciavam que na era messiânica ela seria curada (Is 35,3.6).

Vemos aqui na presença dos quatro homens a fé da comunidade, que vence todos os obstáculos para levar o povo até Jesus. Jesus vendo a fé daqueles homens se dirige ao paralítico atacando diretamente a raiz do mal que é o pecado. Na verdade é o pecado - a separação entre o homem e Deus - que é a fonte dos males que paralisam as pessoas. O perdão é capaz de reconstruir o homem todo, por dentro e por fora.

b) O poder de perdoar pecados e a cura

Se só Deus pode perdoar pecados, por que Jesus atribui a si este poder? É interessante também que é só Deus que pode conhecer os pensamentos do coração do homem (Jr 17,9-10) e o v. 8 afirma que Jesus percebe os pensamentos dos mestres da lei. O texto está afirmando claramente que Deus está em Jesus e, portanto Jesus tem o poder de perdoar os pecados.

No v. 9 Jesus questiona os mestre da lei sobre o que é mais fácil o perdão ou a cura, ou seja, eliminar a fonte da paralisia que é o pecado ou apenas um sintoma do pecado que é a paralisia? Para provar que ele tem poder sobre a fonte do mal que é o pecado ele cura o sintoma que é a paralisia.

Jesus aqui se atribui o título de Filho do Homem tirado de Dn 7,13. É um personagem do final dos tempos cheio de poder para destruir o reino do mal e instaurar o reino de Deus. Isto significa que o fim dos tempos já começou com Jesus que está eliminando o pecado - a fonte dos males que paralisa o homem. O povo, vendo o paralítico carregando sua cama, fica admirado e dá testemunho glorificando a Deus, que deu a Jesus o poder de perdoar pecados que paralisavam o homem.

 

 

Dom Emanuel Messias de Oliveira

Bispo Diocesano de Caratinga

Telefone Cúria: (33) 3321-4600

E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

7o DOMINGO DO TEMPO COMUM - 19/2/2012
 
25 Anos da Diocese de Guanhães
X