A paróquia de Sant’Ana de Ferros
está situada no município de Ferros - MG.
Eclesiasticamente pertence à Diocese de
Guanhães, desde a sua instalação que aconteceu em
01/05/1986.
Já passou por outras dioceses.
Primeiramente a Arquidiocese de Mariana; depois, a partir de 1996, a
Diocese de Itabira,
A paróquia é mais do que
centenária. Foi criada em 14/07/1832 com a
denominação de Freguesia de Sant’Ana de Ferros.
Atualmente compõe-se de 14 comunidades, sendo 04 na sede:
Rosário, São José, Matriz e Igreja de Nossa
Senhora Aparecida. As demais estão espalhadas na Zona Rural:
Mendonça, Boa Vista dos Maltas, Quenta Sol, Gomes, Santa Rita do
Peixe, União, Rodrigues, Borba Gato, Xavier, Mar Vermelho. Com a
transferência de São José da Brejaúba e
Socorro, que antes pertenciam à paróquia de
Conceição do Mato Dentro, o número passou para 20
comunidades.
No decorrer do tempo aconteceram algumas
modificações na parte administrativa e também em
seu território.
1º - Por decreto de dom Helvécio Gomes
da Oliveira, de 08/09/1923, a paróquia foi promovida à
categoria de Comarca Eclesiástica de Sant’Ana de Ferros
recebendo, temporariamente, sob sua jurisdição, as
freguesias de Sete Cachoeiras, Joanésia e Mesquita.
2º - A capela de Itauninha já
não pertence ao seu território. Cuité e
Ribeirão Tatu, igualmente.
Além das 20 comunidades citadas, foram
acrescentadas outras 10, componentes da paróquia de Sete
Cachoeiras que atualmente se encontra agregada à paróquia
de Ferros.
Ambas estão, temporariamente, entregues aos
cuidados pastorais de dois sacerdotes.
A região é montanhosa, caracterizada
por altos e baixos. A sede é distante das comunidades rurais,
ligadas por estradas sinuosas e precárias. Apenas duas
estão situadas à beira do asfalto, na BR 120.
Como então evangelizar? Como atingir toda a
população? Não é difícil descobrir o
porquê da ausência de vocações religiosas,
masculinas e femininas.
Para o atendimento espiritual num campo
missionário tão disperso há, sem dúvida, um
grande trabalho para se fazer. Alguns movimentos e pastorais já
estão em andamento, num esforço conjunto que exige
fé em Deus, união e perseverança diante dos
desafios da caminhada.
A igreja Matriz se destaca pelo contraste com todo
o aspecto da cidade. A escolha de seu estilo foi decidida em
plebiscito, na década de 60. A vitória coube à
arte moderna.
A polêmica figura do Adão despido
(exibida no fundo do Santuário) foi e ainda é
referência da cidade pelo Brasil afora.
Deu origem a comentários e protestos
ostentados nas manchetes dos jornais e revistas de maior
circulação dentro do país. As opiniões se
dividiram: para uns, sucessos. Escândalo, para muitos.
A construção durou mais de vinte
anos, sendo custeada apenas com recursos da região
criteriosamente administrados e mutirões liderados pelo padre
José Casimiro da Silva, a mola mestra do grande empreendimento.
Merece destaque a montagem de uma máquina
com motor e peças de engenhos desativados de uma fazenda da
região, empregada no desdobramento e no beneficiamento de
grandes blocos de mármore procedentes das terras capixabas,
usados no piso desde a entrada até o Santuário.
A madeira foi também derrubada nas matas
dos arredores e penosamente trazida para a cidade em que foi
beneficiada.
Todo o conjunto artístico foi confiado a
profissionais consagrados, professores da UFMG.
Engenharia e Arquitetura de Mardônio dos
Santos Guimarães, autor do projeto da Rodoviária de Belo
Horizonte.
Vitrais – Arte Geométrica de
Mário Silésio, em vidros lisos e coloridos, importados
diretamente da Alemanha.
Painel do fundo do Santuário –
pintura de Yara Tupinambá, com fundamento na Bíblia,
denominada pela autora de “Historia da
Salvação”.
À entrada, imagem da Padroeira, escultura
de Wilde Larceda, em metalon com pingos de solda derretida (estilo
surrealista).
Até os jardins foram idealizadas por um dos
paisagistas que traçaram os jardins de Brasília e de
Pampulha: Vilela César.
Ao longo de sua história, a paróquia
contou com o trabalho e a dedicação de muitos sacerdotes
que aqui deixaram parte de suas vidas, no árduo serviço
do povo de Deus. Eis a relação de todos eles:
1º - Padre João José Dias de
Camargo, de 1832 a 1869.
2º - Padre Evêncio Antônio
Rodrigues Pinto, de 1869 a 1889.
3º - Padre Antônio Fernandes Martins,
de 1889 a 1902.
4º - Cônego Domingos Ferreira Martins,
de 1902 a 1907.
5º - Padre Manoel Gonçalves Couto, de
1907 a 1908. Ainda jovem retornou à casa do Pai. Nasceu em
Ferros.
6º - Monsenhor Alypio Odier de Oliveira, de
1908 a 1926. Também filho da terra. Deixou a paróquia por
convocação do Exmº. Sr. Arcebispo dom
Helvécio G. de Oliveira para ocupar o cargo de vigário
geral da Arquidiocese de Mariana. De lá acompanhava com
interesse a vida da paróquia caprichando na escolha dos
sacerdotes para aqui exercerem o seu ministério.
7º - Padre José Oscar da Silva, de
1926 até 31/01/1928. Para melhor formação do
rebanho, trouxe para a paróquia duas grandes
associações religiosas: a Pia União das Filhas de
Maria e o Apostolado da Oração, que muito
contribuíram para o crescimento espiritual dos fiéis. Em
nossos dias, o Apostolado da Oração ainda é uma
presença ativa no trabalho paroquial.
8º - Cônego Domingos Martins. Esteve
à frente da paróquia, provisoriamente, até
31/01/1928.
9º - Padre Modesto de Paiva, de 01/01/1929 a
22/01/1933.
10º - Padre José Emilio Veiga, de
15/02/1935.
11º - Padre Nelson Souza, de 20/02/1936 a
17/01/1951. Incentivou a prática das Primeiras Sextas-feiras e a
devoção ao Coração de Jesus, entronizando
sua imagem em dezenas de lares e consagrando todas as famílias
que aderiram ao movimento.
O número de homens trazidos à igreja
pela congregação Mariana cresceu muito. As missas e
cerimônias religiosas se tornaram mais entusiasmadas com as
melodias vibrantes do coral masculino.
As crianças também, com o
funcionamento da cruzada Eucarística, foram beneficiadas com o
desenvolvimento da catequese. Muito dinâmico e empreendedor,
procedeu com as reformas da casa paroquial e da igreja Matriz.
Desde o ano de 1939, a paróquia contou
também com a presença de sacerdotes
recém-ordenados para aqui fazerem o seu estágio. Foram
eles: padre Antônio Mendes Filho, padre José Martins da
Silva, padre Geraldo Cândido de Paiva, padre Avelino Marques,
padre Dorilo Ferreira Gloria e padre João de Oliveira.
12º - Padre Alberto Pereira Gomes, de
13/02/1951 a Setembro de 1959. Como ardoroso devoto do
Coração de Jesus, investiu no movimento das Primeiras
Sextas-feiras, que cresceu consideravelmente. Partilhou sua
experiência com os seguintes colegas: padre Antônio de
Pádua Souza, padre Vandik Elias Gomes, padre José
Cupertino, padre Geraldo Carvalho Gonçalves.
O padre José Nascimento o substituiu
durante 100 dias, no ano de 1958, quando ele se retirou para descansar.
Em setembro de 1959, quando padre Alberto deixou a paróquia, o
padre Elair de Sales Filho aqui permaneceu até 31 de outubro,
aguardando a chegada do novo pároco.
13º - Padre José Casimiro da Silva, de
01/11/1959 a 29/06/1985. Foi-lhe confiada a dupla missão de
demolir a igreja Matriz e edificar a nova, missão esta que
abraçou corajosamente e, segurando na mão de Deus,
Levou-a até o fim. Sem dúvida, um visionário
pertinaz. Foi o pioneiro nas pesquisas para captação dos
sinais e imagens de TV. Escalou montanhas, fizesse frio ou calor, no
sol e na chuva, insistindo nas experiências que se estendiam
até alta noite. Não desistiu até que sua utopia se
tornou realidade. Outra obstinação sua: o telefone.
Graças a ele também, o serviço telefônico
chegou até Ferros.
14º - Padre Ergo Dias de Araújo, de
julho de 1985 a julho de 1986. Como vigário econômico,
prestou assistência à paróquia por
designação do Exmº. Sr dom Mário Teixeira
Gurgel.
15º - Padre Cyriac Vadakam, de 03/08/1986
até julho de 2003. Até o final de novembro permaneceu
aqui. Embora não estivesse mais à frente da
paróquia. De nacionalidade indiana. A diferença de
cultura e a dificuldade de comunicação bloquearam, um
pouco, seu trabalho. Mesmo assim, desempenhou com fidelidade a sua
missão e, com seu jeito simples, sempre esteve voltado para o
campo espiritual. Foi ele quem conseguiu, junto à Cúria
Diocesana de Guanhães, a doação do lote para
edificação do Recanto Nossa Senhora da Aparecida - para
abrigar os idosos - ao lado da capela do mesmo nome, no bairro
Sentinela.
16º - Padre Jacy Diniz Rocha, de agosto de
2003 até julho de 2005, como Administrador paroquial.
Administrador nato. Em pouco tempo, restabeleceu as finanças da
paróquia. Não mediu esforços para proporcionar
à população maior conforto, principalmente no
campo social e eclesial. Neste sentido motivou, incentivou, organizou e
deu assistência a vários movimentos e pastorais.
Não perdeu tempo. Lançou as sementes e elas germinaram.
As crianças e os idosos receberam dele atenções
especiais. Criou uma creche. No Recanto Nossa Senhora Aparecida deixou
sinais marcantes de sua passagem. Esteve presente na reforma do
regimento interno, orientou e participou ativamente nos trabalhos de
execução da ampla reforma do prédio, esmerando-se
na fachada e na área da entrada, que se transformou em
autêntica pracinha de lazer.
17º - Padre Lafaiete Marques Ciara, a partir
de 01-08-05. Depois de uma visão global da complexa
situação da paróquia, partiu para a luta. Os
desafios não o intimidam, pois, determinação e
otimismo não lhe faltam. Vai em frente no seu trabalho
missionário, ciente de que não está sozinho. Teve
a colaboração, de fevereiro a setembro de 2006, do padre
José Silva Filho. Período em que os trabalhos e as
responsabilidades eram somados e divididos, na fraternidade.
Em agosto, a paróquia recebe um presente
muito especial: a chegada do então diácono José de
Brito Filho. Ordenado sacerdote aos
10/12/2006, ele é para nós alegria. E glória para
toda Igreja.
Atualmente somos contemplados com a amizade, a
dedicação e a assistência desses dois abnegados
seguidores de Jesus, fiéis à sua vocação e
entrega.
Texto de Maria de Alvarenga Moreira (Nana Moreira)