É tese de Chesterton que quem menos conhece
a própria casa é o dono, ou seja na maioria das vezes
não conhecemos a História de nosso Torrão Natal,
de nossa Família, de nossos antepassados e por isto vivemos
à mercê de nunca encontrarmos a nossa própria
identidade.
A História da Paróquia de São
Miguel de Guanhães começa nos marcos fincados por
Bandeirantes Paulistas e Baianos que cruzaram a nossa região e
legaram nomes aos nossos Rios e às nossas primeiras
povoações. O Rio Guanhães serviu de
itinerário para as Bandeiras de Francisco Bruzza Espinosa
(1536), Bandeirante que construiu a Primeira Ponte de Minas Gerais, a
“Ponte dos Paulistas’, e foi o primeiro Homem Branco a
pisar o Solo Mineiro; a Bandeira de Sebastião Fernandes Tourinho
(1572); a Bandeira de Marcos de Azeredo Coutinho (1612, que encontrou o
primeiro Diamante do Brasil, o Diamante dos Paulistas, no
Município de PAULISTAS) e por último a Bandeira de
Fernão Dias Paes Leme (que percorreu nossa região no ano
de 1680). No ano de 1702 o Bandeirante Antonio Soares Ferreira (parente
consangüíneo do Professor Heitor Nunes da Mata), juntamente
com o Cel. Manuel Rodrigues Àrzão, fundaram o Distrito de
Santo Antonio do Bom Retiro do Serro Frio, hoje Cidade do Serro, e a
partir daí a formação de núcleos
populacionais foi se formando na região Leste e Centro-Nordeste
de Minas Gerais. No ano de 1752 outro Bandeirante de nome João
de Azevedo começou a explorar a região do Graypu e ficou
impressionado com a quantidade de ouro encontrado na região. Mas
esta riqueza somente teve reconhecimento e importância com uma
Companhia Inglesa, a CIA. THE CANDONGA GOLD. CO. LIMJTED, que gerou
nome a Fazenda Candonga de Guanhães.
O topônimo Guanhães está
vinculado a duas teorias: a primeira de que o nome advém da
Serra de Chaynez (região do Mato Grosso) onde existia a Tribo
dos Guanans. Os Bandeirantes que passaram por aquela região
acharam muita semelhança com a região do Rio
Guanhães e legaram nome ao mesmo por causa da tribo existente no
Mato Grosso. Esta teoria tem muita possibilidade de ser verdadeira,
pois a expressão ‘Chaynez”, de origem Tupi-Guarani,
significa Mata Densa. Exatamente o perfil que os Bandeirantes Paulistas
encontraram em nossa região. Aliado a isto está vinculado
o nome da Cidade de PAULISTAS, que prova ser a nossa região a
mais importante pala a formação e crescimento da
Província de Minas Gerais, ou seja, o Rio Guanhães sempre
serviu de itinerário para os Bandeirantes; a segunda teoria
relativa ao topônimo Guanhães está vinculada a
Tribo dos índios Guanahans, de origem Tapuia Cainganque, cujo
termo significa Índios velozes.
O topônimo Guanhães ou o
proprietário de Guanhães é um termo usado à
página 165/66 do Livro “Viagem pelas Províncias do
Rio de Janeiro e Minas Gerais”, do naturalista Francês
Auguste de Saint Hilaire, que percorreu esta região em meados de
abril de 1817. Na página mencionada o famoso naturalista faz
referência ao proprietário das Terras, o Guarda-Mor
Antonio Feliciano, em cuja fazenda o grande defensor da Natureza
hospedou-se. A referência ao mencionado proprietário faz
crer que este seria detentor de uma vasta quantidade de terras, que
abrigaria terras dos Municípios de Senhora do Porto (onde estava
situada a Capela de Nossa Senhora do Porto de Guanhães), a
própria Guanhães e Sabinópolis fazendo limite com
a região de Temerão (atualmente integrante do
Município de Materlãndia). Toda esta vasta região
estava integrada a Paróquia de Nossa Senhora da
Conceição do Mato Dentro.
O proprietário da Fazenda Guanhães,
o Guarda-Mor Antônio Feliciano vendeu uma grande parcela de suas
terras para o senhor José Coelho da Rocha, fiel devoto de
São Miguel, que erigiu no alto do Bairro do Rosário a
primeira Ermida de Guanhães que ficou pronta no ano de 1821.
Até o ano de 1964 era possível observar na região
do Alto do Rosário, em Guanhães, pedaços de adobes
e outros utensílios daquele templo que virou ruínas. Por
influência do Cônego Bento de Araújo Abreu, que veio
se instalar na localidade hoje conhecida por Sabinópolis, a
localidade de Guanhães ganhou o nome de Capela de São
Miguel dos Correntes. Entretanto o Guarda-Mor Antonio Feliciano
dispunha em mãos de um Alvará Régio datado de 26
de janeiro de 1811, por mãos de Dom João VI autorizando a
edificação da Capela de São Miguel Y Almas. O nome seria
influência da Paróquia de São Miguel de Piracicaba
(hoje Rio Piracicaba região Metalúrgica), mas o
mencionado Alvará pouco adiantou.
A criação da Paróquia de
São Miguel dos Correntes ocorreu por força da Lei
Provincial n° 02, datada de 14 de julho de 1832 com
celebração da Missa conventual na Ermida do
Rosário realizada pelo Padre Firmiano Alves de Oliveira. Figuras
eminentes como o próprio José Coelho da Rocha, Francisco
de Souza Ferreira, Antonio de Oliveira Braga, Faustino Xavier Caldeira,
José de Oliveira Rosa, Francisco Nunes Coelho e outros foram
primordiais para a formação da Paróquia e a
Emancipação Política da Localidade. Nos anos que
se seguiram a exploração de Ouro pela Cia. The Candonga
Gold Co. Limited, na região denominada “Almas” foi
muito significativa e por esta razão a povoação
ganhou nome de Paróquia de São Miguel Y Almas.
Famílias influentes como Rocha, Nunes Coelho, Caldeira,
Carvalho, Pimenta, Oliveira, Ferreira, Gouveia e outras já
tinham grande representatividade na região, mas a família
cine foi a mola-mestra para o avanço político da
região foi a família “Nunes Coelho”, que
através do Senhor Francisco Nunes Coelho fez um abaixo-assinado
com centenas de assinaturas e o endereçou ao Governo Provincial
de Minas Gerais solicitando o reconhecimento do Distrito de São
Miguel Y Almas de Guanhães, o que aconteceu por força da
Lei Provincial 2132 datada de 25 de outubro de 1875. O mencionado
decreto-Lei reconheceu as Paróquias de Santo Antonio do
Peçanha e São Miguel Y Almas de Guanhães e foi
sancionado pelo então Presidente (Governador) da
Província de Minas Gerais Doutor Pedro Vicente de Azevedo.
Somente em 09 de Setembro de l879 foi instalada a Câmara
Municipal de São Miguel de Guanhães com o termo de
Abertura e encerramento firmados pelo Excelentíssimo Presidente
Doutor Francisco Nunes Coelho. Naqueles idos a igreja e o Estado tramo
atrelados razão porque a mesma Lei que reconheceu o
Município foi a mesma que reconheceu a Paróquia de
São Miguel Y Almas de Guanhães. À Paróquia ou o
Município ficaram compostas das seguintes
Povoações: Divino, Gonzaga, Travessão,
Jequitibá, Sapucaia, Farias, Correntinho e Dores de
Guanhães.
Guanhães se situa a 778 metros de altitude
acima do nível do mar e 18° 46’ e 48” latitude,
é banhada pelo Ribeirão Graipu, que por sua vez é
formado pelos Ribeirões Vermelho, Bonsucesso e Lavapés.
Guanhães, assim bem como Jacuri , Baguary,
Suaçuí, Cocais, Coroacy e muitíssimas outras,
são expressões de origem Tupi-Guarani que fazem uma ponte
de nosso presente com o passado de nossos legítimos brasileiros,
os Índios. Nossa Pátria era Pindorama, a Pátria
das Palmeiras. Pindorama foi conquistada pelos Bandeirantes Paulistas,
os fundadores verticais do Brasil. Como no-lo dizia Gilberto de Mello
Freyre, é preciso nos orgulharmos de nossa Pindorama, de nossas
Palmeiras, de nossas Matas, de nossos ancestrais. Guanhães,
Goianases, Goiases, Guanan, não importa a etimologia, o que
importa é que Guanhães é um retrato de uma
Pátria que fora chamada Pindorama, a Pátria dos
Índios Velozes, a Pátria dos Índios Felizes, a
Pátria do sangue que circula na alma de cada Brasileiro, a
Pátria que foi libertada com o Espírito Guerreiro dos
Bandeirantes Paulistas através de nossos rios. Guanhães
é um retrato, a mística das matas, a Alma de um
Gênio Matemático, Guanhães é o Genial
Professor Heitor Nunes da Mata, Guanhães é a partilha,
Guanhães é uma Alma que retrata o passado de 3.500.000
índios que habitavam nossa Pindorama, quando nossa Pátria
foi oficialmente descoberta. Guanhães não é um
acaso, Guanhães é a História do mais puro
Cidadão do Mundo, o nosso “INDIO”!
Raimundo Zeferino de Pinho Carvalho
(Tini)