Ia LEITURA - Ez 2,2-5
Ezequiel profeta-sacerdote atuou junto ao povo
exilado (593-571a.C.). O profeta estava prostrado por terra por causa
da visão que ele estava tendo da glória de Deus. Da
visão ele recebeu um comando para ficar de pé (v. 1) e
nele entrou um espírito que o pôs de pé. Sua
prostração lembra a situação do povo de
Deus prostrado no Exílio. O espírito que o põe de
pé é o espírito de profecia que é capaz de
orientar o povo em dificuldades, é o espírito que levanta
o moral do povo abatido. Mas será que os israelitas exilados
ouvirão a voz do profeta? O que diz o texto sobre a
predisposição do povo? Javé os chama de
cabeça dura e coração de pedra,
nação rebelde (vv. 3-4). Quem é esse povo?
É o povão simples ou é a elite de dirigentes? Sem
dúvida o texto se refere às elites que por causa de sua
dureza de coração e surdez ao apelo profético
levaram todo o povo para o exílio. Sem dúvida esta elite
de coração endurecido e rebelde não dará
atenção à voz do profeta. Mas não importa,
estes vv. 3-5 registram a missão profética e sua
rejeição. Deus quer salvar seu povo, Deus envia seus
profetas. Se as elites não acolhem a voz de Javé, pelo
menos ficarão sabendo que houve um profeta entre eles (v.5).
Essa rejeição ao projeto de Deus por parte das elites do
poder é coisa apenas do passado? Avalize ao seu redor e traga o
texto para o contexto de hoje. Veja o que acontece em âmbito
municipal, estadual e nacional. Os profetas de hoje são
escutados? O povo está sendo atendido em suas necessidades
básicas?
IIa LEITURA - 2Cor 12,7-10
É preciso ler os versículos iniciais
do capítulo 12 para entender o v. 7. É que Paulo estava
recordando as visões e revelações que o Senhor lhe
havia feito. Esse grande privilégio poderia levar-lhe à
vaidade e orgulho. Não é isso que anda acontecendo com
tanta gente que estudou, que fez um curso na comunidade, que ocupa um
cargo político ou religioso? Aqueles que sentem na pele esta
situação devem ler e reler o v. 7: “E para que a
grandeza das revelações não me levasse ao orgulho
é que me foi dado um espinho na carne, um anjo de
satanás, que me esbofeteia e me livra do perigo da
vaidade”.
“O que é este espinho na
carne?”
Uma pista de solução é
apresentada no v. 10: fraquezas, afrontas, necessidades,
perseguições, desgostos diante dos resultados dos
trabalhos. Estes espinhos são os conflitos da missão, da
evangelização, da pastoral. Eles brotam de dentro do
agente de pastoral e também pressionam do lado de fora. Conflitos que vêm de dentro: “fraquezas e necessidades”, medo,
insegurança, despreparo, falta de recursos materiais e humanos. Conflitos que pressionam de fora para dentro: afrontas, perseguições, invejas,
calúnias (quem consegue escapar da língua do povo!).
Você não possui um espinho na carne? O que é que o
fere mais? Se você não pode superá-lo, é
preciso aprender a conviver com ele. Às vezes a gente acha que
Deus tem obrigação de remover nossos espinhos (v. 8).
Quando insistimos com Deus, ele nos responde: “Basta minha
graça, porque é na fraqueza que a força chega
à perfeição” (v. 9). Paulo a partir daqui
nos revela que sua glória está não nas suas obras
de evangelização, mas exatamente em suas fraquezas,
carências e conflitos, porque é a partir daí que
habita nele a força de Cristo. “Pois quando me sinto
fraco, então é que sou forte”. E você, onde
você coloca suas glórias?
EVANGELHO - Mc 6,1-6
Segundo Marcos Jesus entra três vezes numa
sinagoga (1,21; 3,1 e 6,2). Esta é a terceira e a última.
No capítulo 3º Jesus funda uma nova família ligada a
ele pelos laços do Espírito (vv. 13-19.33-35). Depois ele
rejeita sua família religiosa - os judeus (vv. 22ss), sua
família carnal - seus irmãos (vv. 31ss) e sua
família geográfica - seus conterrâneos de
Nazaré (texto de hoje). Aqui aliás ele se despede da
sinagoga, pois, se no início temos a admiração dos
seus conterrâneos (v. 2), no final é Jesus que se admira
(v. 6). De que Jesus se admirou? Exatamente da incredulidade do seu
povo. Assim percebemos que a admiração do v. 2 é
de incredulidade e de rejeição. Isto fica mais claro a
partir das quatro perguntas que os seus conterrâneos fazem:
1a e 2a perguntas: “Donde lhe
vem tudo isso? Que sabedoria é essa que lhe foi dada?” O
povo não quer acreditar que um dos seus tenha tanto a dar. Aqui
temos suspeita e incredulidade. Se eles sabem de onde vem Jesus, ele
não pode ser o Messias! (cf. Jo 7,27).
3a pergunta: E estes
milagres que se fazem por suas mãos? A final quem está
por trás? Em Mc 3,22 os escribas afirmavam que é o chefe
dos demônios que estava por trás. Será que seus
conterrâneos chegam a tanto?
4a pergunta: Aqui temos um
esclarecimento e uma síntese das primeiras 3 perguntas:
“Por acaso não é ele o carpinteiro, filho de Maria,
irmão de Tiago, de José, de Judas e Simão? E as
suas irmãs não vivem aqui entre nós?” Agora
partiram para a desmoralização e o deboche. Quando se
substituía o nome do pai pelo da mãe (a não ser
que o pai já tivesse morrido) significava desprezo. Essa falta
de fé e essa rejeição impedem Jesus de fazer
muitos milagres no meio deles. Jesus se sente profeta rejeitado pelos
seus. E ficou admirado por tamanha incredulidade! O mistério da
encarnação, do tornar-se homem como nós, encontra
obstáculos até hoje. Inculturar-se, ser um com os outros,
reconhecer que Deus age a partir dos pobres e pequenos isto não
o escandaliza? Você acredita mesmo na força dos fracos?
Dom Emanuel Messias de Oliveira
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Diocese de Guanhães - MG