Ia LEITURA – Js 5,9a.10-12
O povo de Deus acaba de chegar na Terra Prometida;
eles celebram a chegada com a circuncisão e a Festa da
Páscoa:
“Hoje afastei de vós o
opróbrio do Egito”. Deve ser uma referência à
incircuncisão dos descendentes do povo que foi libertado do
Egito, pois o texto anterior fala da circuncisão (cf. vv. 2-8) e
logo em seguida dá-se ao lugar o nome de Guilgal que
etimologicamente se refere à circuncisão. O v. 10 se
refere à Páscoa. Como o v. 11 fala dos pães sem
fermento, isto significa que a festa da Páscoa e dos pães
ázimos já estavam reunidas. O que era a Festa da
Páscoa? Antes do êxodo ela servia para os pastores
afastarem da família e dos rebanhos os espíritos maus.
Isto era feito matando um animal e tingindo a entrada da tenda com o
sangue dele. Depois do xodo a Festa da Páscoa adquire um
novo sentido. Torna-se lembrança perpétua do Deus vivo
que para libertar o seu povo derrota os opressores e seus
ídolos. O que era a festa dos pães sem fermento? Era uma
festa que antes só era celebrada pelos agricultores na
ocasião da colheita. A finalidade era não misturar o
produto da colheita anterior com o produto da nova. O v. 11 diz que
comeram pão sem fermento e trigo tostado e só a partir do
dia seguinte é que comeram produtos da terra. O v. 12 lembra que
a partir desse momento que começaram a comer dos produtos da
terra o maná parou de cair. O que era o maná? Era o
alimento miraculoso com o qual Deus alimentava seu povo no deserto.
Agora ele pára de cair, pois o povo chegou à Terra
Prometida e já está comendo dos frutos da terra. “A
contraposição entre produtos da terra e maná marca
o fim do período do deserto. O maná é uma figura
da Eucaristia no sentido de ser o pão do céu e alimento
de um povo que ainda está a caminho para a pátria
celeste.
Você experimenta ao comungar o sentido
libertador da Eucaristia?
2a LEITURA – 2Cor 5,17-21
Paulo desenvolve aqui o tema da
reconciliação. Ele é acusado de não ser
apóstolo, pois não conheceu Jesus em sua vida terrestre,
não ouviu suas palavras nem participou de suas
ações. Por isso não pode ser testemunha do
Evangelho. Paulo vai mostrar que o Evangelho não é
simples história de Jesus e sim o anúncio de sua morte e
ressurreição que reconcilia o homem com Deus e inaugura
uma nova era. Conhecer o Cristo segundo as aparências tem pouco
valor, pois agora já não o conhecemos assim (v. 16). O
importante é a novidade que Deus nos traz: a
reconciliação em Cristo. Ele restaurou sua obra
corrompida pelo pecado. Se alguém está em Cristo é
nova criatura. Isso é que importa.
Deus não levou em conta os pecados dos
homens e por meio de Cristo ele reconciliou o mundo consigo. É a
Paulo e aos apóstolos que Cristo confiou o ministério da
reconciliação. Ele exerce assim a função de
embaixador em nome de Cristo e é através dele (de Paulo)
que Deus fala, exortando os coríntios à
reconciliação.
Trata-se de uma exortação muito
séria, pois rejeitar o apóstolo anunciador do evangelho
de Cristo morto e ressuscitado é rejeitar a própria
mensagem de salvação, é rejeitar a
reconciliação com Deus. Por isso o apelo é
veemente: “Em nome de Cristo, vos suplicamos: reconciliai-vos com
Deus”. O v. 21 significa: Deus fez de Cristo, que não
tinha pecado nenhum, “uma pessoa solidária em tudo com a
humanidade pecadora, para que por seu intermédio, nos
tornássemos justos”, agraciados, reconciliados.
Você se cuida de viver profundamente em paz
com Deus, os irmãos e a comunidade?
EVANGELHO – Lc 15,1-3.11-32
O capítulo 15 é o
coração do Evangelho de Lucas. São três
parábolas de misericórdia, ou parábolas dos
três perdidos, a da ovelha perdida, da dracma perdida e do filho
perdido. Esta parábola do Filho Pródigo podia ser chamada
de parábola dos dois filhos e melhor ainda parábola do
Pai misericordioso.
Introdução – Os
“justos” e pecadores – vv. 1-3
Essa introdução é de
fundamental importância. De um lado Jesus e os pecadores. Quem
são eles? São pessoas que tinham conduta imoral
(adúlteros, mentirosos, prostitutas, etc.) ou exerciam
profissões consideradas desonestas ou imorais (cobradores de
impostos, pastores, tropeiros, vendedores ambulantes, curtidores). De
outro lado os que criticavam a atitude misericordiosa de Jesus:
fariseus e doutores da lei, que representavam a classe dominante e se
consideravam justos. Jesus conta as parábolas para eles
perceberem que a sua atitude é a atitude do Pai.
1a parte – O Pai e o filho mais jovem (vv.
11-24)
O filho pede sua parte da herança ao pai e
depois parte para bem distante. Pecar é distanciar-se da casa do
Pai com experiências desligadas da fonte do amor e da vida. Mas
ele acaba na “lama”, cuidando de porcos, animal imundo para
os judeus. Nem comida de porcos ele tinha. Reconhece na miséria
absoluta que na casa do pai até os empregados têm de tudo.
Ensaia sua confissão e decide voltar. Sua esperança
é de ser ao menos um empregado. Mas o Pai o aguardava ansioso
(v. 20). Vendo-o encheu-se de compaixão e correu ao seu encontro
e o restabelece na família com toda a dignidade de filho: o
beijo é o sinal do perdão; a veste festiva é para
um hóspede de honra; a entrega do anel é a
restituição de todos os direitos e plenos poderes na
família; os sapatos eram luxo dos homens livres, escravos
não usavam. A carne era usada só de vez em quando e matar
um bezerro era coisa especial para grandes festas. Naquela casa voltou
a alegria: “Trazei um novilho gordo e matai-o, para comermos e
festejarmos, pois este meu filho estava morto e tornou a viver; estava
perdido e foi encontrado”. E começaram a festa. Mas... e o
filho mais velho?
2a parte – O Pai e o filho mais velho (vv.
25-32)
O filho mais velho tem todas as qualidades, mas
não é capaz de acolher o irmão que volta, nem quer
partilhar da alegria do coração do Pai que insiste com
amor e ternura para que ele entre para a festa. Gabando-se de sua
conduta justa e irrepreensível chega a criticar a atitude do
Pai. A parábola termina com o Pai justificando sua conduta
misericordiosa. E o filho mais velho entrou ou não entrou na
festa? Agora entenderemos os versículos iniciais.
O filho mais novo são todos os pecadores com
quem Jesus faz a festa. O filho mais velho são os fariseus e
doutores da lei que se consideram justos, mas são incapazes de
acolher os irmãos marginalizados e ainda criticavam a atitude de
Jesus. E você? Qual a sua postura?
Dom Emanuel Messias de Oliveira
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Diocese de Guanhães - MG