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Santuário do Senhor Bom Jesus de
Matosinhos, em Conceição do Mato Dentro/ MG,
recebe todos os anos 80 mil romeiros
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Sobre a cidade
A cidade de Conceição do Mato
Dentro/ MG, situada a 80 km de Guanhães/ MG e 170 km de
Belo Horizonte/ MG, tem sua história ligada ao ciclo do
ouro. Sendo a Virgem da Conceição padroeira da
Restauração da independência portuguesa
(1640), ela era também rainha e madrinha dos
empreendimentos de conquista dos Bandeirantes. Era madrinha
daquelas expedições conhecidas como Bandeiras.
Origem do Nome
O nome "mato dentro" é a
tradução do nome indígena
"caeté", que significa a densa floresta em que
os índios se embrenhavam e onde se multiplicaram
arraiais ao longo do século XVIII. Naquele século
os portugueses fizeram a Capelinha de Nossa Senhora da
Conceição do Mato Dentro. A Paróquia foi
instituída eclesiasticamente nos primeiros anos do
século XVIII, pertencendo à Diocese do Rio
de Janeiro. Em 1709 já gozava dos foros de
Freguesia e estava provida de Vigário Encomendado, como
afirma o historiador da terra, Geraldo Dutra Morais.
Por Alvará Régio de 16 de
janeiro de 1752, a Freguesia, agora pertencendo à
Diocese de Mariana/MG, passou a ser atendida pelos chamados
Vigários Colados.
A tradição do JUBILEU
é bíblica. Encontramos no Levítico (Lv
25,11; Lc 4,18ss) a prescrição do ano de
Ação de Graças, isto é, o Ano
Jubilar. Havia, então, a redistribuição
das terras, o perdão das dívidas, a
libertação dos escravos etc. Portanto, o Jubileu
é tempo de perdão, de redenção, de
ação de graças.
Em 1787, com ordem do papa Pio VI, foi
instituído o Jubileu de Conceição do Mato
Dentro. E a partir desse ano, o dia de Santo Antônio, 13
de junho, passa a ter um caráter todo especial para os
moradores de Conceição. É o início
do santo e tradicional Jubileu do Senhor Bom Jesus de
Matozinhos, que vai até o dia 24 - dia de São
João Batista - quando acontece a solene
bênção de encerramento. São 11 dias
de grande vivência de fé e oração,
no alto da Montanha do Santuário do Bom Jesus, que
abençoa a cidade e os devotos romeiros que chegam
fervorosos de tantos lugares. Os moradores dizem que o
movimento do Jubileu supera o movimento da tradicional festa do
Rosário, que é dia 1º de janeiro, e da
Padroeira, dia 8 de dezembro.
Os padres diocesanos foram os primeiros
responsáveis pelo Jubileu. Mais tarde, em 1893, padre
Elói Pereira Malaquias, vigário da
paróquia, passou a cuidar com carinho do Jubileu do Bom
Jesus. Mas justiça seja feita, foi o capuchinho, frei
Dionísio Monterosso, sacerdote dinâmico e
empreendedor, que divulgou o Jubileu além das fronteiras
da região, da Diocese e do Estado. A cada ano aumenta o
número dos romeiros que sobem a Montanha em busca da paz
e das bênçãos do Senhor Bom Jesus.
Em 1915, o Bispo de Diamantina/ MG, Dom
Joaquim Silvério de Souza, confiou o Santuário do
Bom Jesus aos Frades Capuchinhos, que ali trabalharam
até 1994.
Na década de 1930, foi
construído o atual Santuário do Bom Jesus. O
responsável pela grandiosa construção foi
frei Vicente de Licodia, capuchinho italiano, pároco de
Conceição. De acordo com o decorrer dos jubileus,
outras construções foram sendo feitas, para
acolher melhor os devotos romeiros do Bom Jesus.
Em fevereiro de 1995, dom Antônio
Felippe da Cunha, que era o bispo de Guanhães/ MG,
nomeou os responsáveis pela Paróquia Nossa
Senhora da Conceição: padre Adão Soares de
Souza, padre Hermes Firmiano Pedro e padre Tarcízio
José Mourão. Em 1999, padre Elair Salles Diniz,
enviado então pelo nosso bispo dom Emanuel Messias de
Oliveira. De 2000 a 2008, padre Marcello Romano foi
pároco e reitor do Santuário. Atualmente, padre
Dilton Maria Pinto é o pároco e reitor do
Santuário do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, onde
funciona um pré-seminário.
A população atual da cidade
é de pouco mais de 19 mil habitantes, espalhados na
vastidão do município que conta com 1.725
km². Receber os milhares de fiéis durante o
período do Jubileu é uma verdadeira
revolução urbana para os tranquilos habitantes da
cidade.
A cidade recebe em torno de 40 mil pessoas.
Mais de 500 barracas são armadas ao longo da colina do
Santuário, lembrando os acampamentos do Povo de Israel
em sua longa travessia em busca da Terra Prometida. Existem
romeiros que contam 30, 40, 50 e até 60 anos
ininterruptos de Jubileu. Contam isso com um entusiasmo
impressionante.
Na fase preparatória, o
pároco é auxiliado por várias equipes de
trabalho: equipe de liturgia, de preparação para
confissões, de alimentação, etc.
Diversos padres e bispos vêm ao
Jubileu. Aqui celebram a Eucaristia, atendem confissões
dos romeiros e ficam à disposição do povo.
Simonette S. B. Moreira e padre Marcello
Romano
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