Não faz muito tempo presenciamos
consternados o fogo devorando a memorial igreja de Dores de
Guanhães - cento e cinqüenta anos de história! O
povo chorou a memória de seus antepassados! Da
igreja-edifício não ficou pedra sobre pedra, mas a
Igreja-povo de Deus não foi devorada nem pelas chamas nem pelo
desânimo. A Comunidade católica de Dores, apesar das
dores, não perdeu o ânimo, não se sentiu
destruída. Reuniões foram feitas com as lideranças
e o dinâmico e otimista padre José Martins mobilizou a
comunidade para pensar numa solução que não fosse
tão demorada e todos com muita garra, disposição e
auto-estima decidiram pela transformação do salão
paroquial em igreja e puseram a mão na obra. Com pouco tempo o
salão foi se transformando em igreja. Houve um pequeno atraso na
conclusão. E a missa de bênção que eu
celebraria foi adiada. Foi aqui que a tristeza invadiu de novo o
coração do povo de Dores: o telhado estava para ser
concluído, quando tudo desabou. Inacreditável (!):
só a parede da frente resistiu, mas não sei em que
condições ficou. Novo sofrimento para o povo, cujas
cicatrizes ainda não tinham sido totalmente sanadas. Mas a
comunidade de Dores, apesar de tudo, mostrou-se firme por causa de sua
fé e confiança inabaláveis. O padre reuniu as
lideranças várias vezes e todas decidiram, sem titubeio:
"Vamos reconstruir tudo de novo!" Eu estive numa dessas
reuniões e pude testemunhar o jeito respeitoso do padre
José Martins dialogar com as lideranças e inclusive
deixar que elas decidissem o rumo a tomar. Essa é uma das tantas
qualidades do pároco de Dores de Guanhães. Na
tranqüilidade e na calma não toma decisões sozinho,
mas leva o povo a refletir e sabe aproveitar e acatar as
decisões da comunidade. Nesta reunião, talvez nas
anteriores também, foi salientada a misericórdia de Deus,
que poupou perdas humanas. A igreja velha queimou sem ninguém
dentro, mas poderia tranquilamente ter pegado fogo um ano antes dentro
de uma celebração lotada de gente. Quem escaparia naquele
tumulto e desespero? O mesmo poderia ter acontecido com a igreja nova,
inclusive, já estava combinado que eu presidiria a
celebração. Demos graças a Deus por não ter
havido perdas humanas. Havia, sim, quatro operários dentro da
igreja, mas por bondade de Deus, ninguém se machucou gravemente.
Só um teve que levar uns pontos na cabeça, coisa mais
simples.
Querido (a) leitor (a), a comunidade de Dores
é forte e corajosa, mas já fez tanto esforço com
festas, barracas, bingos, rifas para a construção de sua
igreja! Não seria hora de mostrarmos nossa comunhão
eclesial com uma comunidade sofrida, oferecendo um pouco do que temos
para aliviar-lhe as penas e suprir-lhe as perdas? O pouco com Deus
é muito. Eu já ofereci minha contribuição.
Nossos padres também já estão dispostos a ajudar,
mas talvez fosse hora de você também dizer:
"Não tenho muito, mas tirarei do pouco que tenho para
solidarizar-me com meus irmãos sofridos." Como fazer isso?
Ficaria na criatividade de cada um, mas talvez um modo fácil
é levar um envelope com uma pequena ajuda endereçada
à comunidade de Dores e entregar ao seu pároco, como
portador-intermediário. Fica aí uma sugestão de
partilha, comunhão e solidariedade eclesial. Mostre que
você também é Igreja.
Dê notícias de sua comunidade,
críticas, sugestões.
Escolha a Paróquia e mande
sua mensagem.