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Adilson Ramos da Silva*

Passado o mês de agosto, mês este que a Igreja Católica normalmente dedica às vocações, quero refletir um pouco com você sobre essa temática (vocação) que pode e deve ser o fio condutor da nossa trajetória profissional.
A Igreja faz uma colocação sobre vocação que eu acho muito bonita.  Para ela, a vocação, diferente da profissão, que implica a dedicação a uma tarefa especializada, segundo as necessidades da sociedade capitalista em desenvolvimento, consiste na escuta interior de um apelo que dá sentido e valor à vida inteira.
Colocada essa afirmação, torna-se possível fazer alguns questionamentos: qual a porcentagem de brasileiros, na hora de fazer a escolha da profissão, tem a oportunidade de fazer uma escuta interior de seus anseios?  
Dois pontos, nos quais não vamos nos ater, aparentemente são decisivos: a falta de oportunidade e a falta de caráter.  Parece que hoje, a escolha de uma profissão, muitas das vezes, é regida meramente pela praticidade e pelo monetário. Os back-ground das profissões parecem estar antenados apenas no dinheiro e na comodidade. Como bom exemplo, convido-lhe a olhar de forma crítica ao atendimento em órgãos públicos. Será que esse sujeito que muitas das vezes trata mal a quem acorre ao serviço público teve a oportunidade ou a ética de escutar "seu interior"? É bem provável que, se ele o fizesse, estaria noutra profissão. E o nosso professorado, será que tem a vocação pra ensinar? E os nossos políticos, será que tem vocação pra governar?
Afinal, a que viemos?
O que eu faço é mesmo o que eu gostaria de fazer? Eu me realizo no que faço?
Boas reflexões!        
* Graduado em Psicologia - Centro Universitário do Leste de Minas Gerais - Unileste/MG. Estudante bolsista do curso de Especialização em Psicologia do Trabalho - Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG.
E-mail: diramus@yahoo.com.br
A QUE VIEMOS?
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